Festival de Arte Urbana transforma muros de Contagem em galeria a céu aberto
Projeto Contagem Pinta recebe artistas nacionais e locais para colorir a cidade e fomentar o diálogo sobre arte pública
Os muros cinzentos de Contagem ganharam novas cores, formas e significados nesta semana. Um movimento de transformação urbana está em curso, liderado por pincéis, sprays e muita criatividade. O projeto Contagem Pinta, iniciativa inédita da prefeitura em parceria com coletivos independentes, selecionou dez paredes em pontos estratégicos da cidade para receberem intervenções artísticas. Os trabalhos, que variam entre grafites, stencils e murais, abordam temas como identidade mineira, sustentabilidade e a memória industrial da região.
Entre os nomes convidados, está o contagemense Marco Túlio, de 32 anos, cujo trabalho retrata operários e máquinas em estilo surrealista. Sua obra já pode ser vista na fachada do Centro Cultural Vila Helena. Outro destaque é a artista Belo Horizontense Ana Duarte, que trouxe para a Avenida João César de Oliveira um painel de mulheres cantando, uma homenagem às rodas de samba e à musicalidade que emana da comunidade. Além dos artistas consagrados, o projeto abriu espaço para talentos locais emergentes, como a jovem Júlia Mendes, de 19 anos, que pela primeira vez vê seu traço expressionista ganhar as ruas da cidade onde nasceu e foi criada.
O festival vai além da pintura. Oficinas gratuitas de iniciação ao graffiti estão sendo oferecidas para jovens da rede pública, promovendo não apenas a capacitação artística, mas também a discussão sobre a importância da arte como ferramenta de inclusão social e ocupação positiva dos espaços públicos. Os organizadores enfatizam que todas as obras foram concebidas em diálogo com os moradores do entorno, garantindo que as narrativas visuais reflitam, de alguma forma, a identidade e os anseios da comunidade local.
A iniciativa posiciona Contagem no mapa dos grandes eventos de arte urbana do país, demonstrando um amadurecimento cultural que valoriza a linguagem contemporânea e a democratização do acesso à arte. Ao converter superfícies antes negligenciadas em telas de grande escala, o projeto não embeleza apenas a cidade, mas convida a população a refletir, se emocionar e se reconhecer na paisagem do seu próprio cotidiano.


